Tão logo a notícia sobre o desabamento de parte do forro de uma das salas do Hospital da Restauração tomou as redes sociais nesta semana, o candidato a deputado estadual Flávio Gadelha Filho, herdeiro do prefeito de Abreu e Lima, se apressou em gravar um vídeo tecendo críticas à governadora Raquel Lyra e à condução da saúde no estado.
No entanto, o castigo veio a galope. Por ironia do destino, apenas dois dias depois, o Conselho Regional de Enfermagem realizou uma fiscalização no município, encontrando unidades de saúde em situação de precariedade, Caps em condições insalubres e desvio de função no Hospital e Maternidade.
A situação elencada pelo Coren acabou mostrando que Flavinho, contraditoriamente, é adepto de uma prática comum na velha política: a indignação seletiva. Ou seja, o problema só é problema quando acontece fora da cidade, mas, quando bate à porta da administração da família, o silêncio é ensurdecedor.
Certamente, o aspirante a deputado estadual não parou para ouvir a sabedoria popular quando diz que quem tem teto de vidro não atira a primeira pedra. Ao tentar capitalizar politicamente um problema da rede estadual, acabou vendo a realidade do próprio quintal ganhar os holofotes poucos dias depois.
A vistoria do Coren jogou luz sobre problemas sentidos pela população há bastante tempo. Fora as recorrentes reclamações sobre a qualidade do atendimento e o número insuficiente de vagas para consultas nos postos de saúde.
Ao fim e ao cabo, esse episódio mostrou que Flávio Filho deve se dedicar às lições de coerência. Se pretende conquistar a confiança dos eleitores para representar a região na Alepe, deve saber que fiscalizar o estado é importante, mas demonstrar que a gestão da qual faz parte consegue dar exemplo é ainda mais.